domingo, 30 de junho de 2013
3º ano - Transformações na Europa do Século XIX
As Revoluções
Liberais de 1820-1848
O século XIX foi um século de profundas
transformações em todos os âmbitos: político, social, econômico e ideológico.
Mudanças que foram iniciadas no século anterior. Enquanto a economia do mundo
foi reordenada sob a influência da Revolução Industrial inglesa
(aproximadamente em 1780), a política e as ideologias foram influenciadas pela
Revolução Francesa (1789).
Após a
derrota de Napoleão Bonaparte em Waterloo, foi realizado, em 1814, o Congresso
de Viena. Inglaterra, Rússia, Prússia e Áustria que encabeçaram o congresso
tiveram como objetivos restaurar as monarquias absolutistas e o retorno das
fronteiras nacionais aos seus limites como eram antes de 1789.
O período que se estende de 1820 a 1848 foi marcado por
inúmeras revoluções de caráter liberal e nacional na Europa, divididas a seguir
em três momentos.
No primeiro
momento, em 1820, eclodiram movimentos revolucionários na Espanha, Nápoles,
Grécia e Portugal sob os princípios do liberalismo, embora cada um tivesse
ocorrido devido às circunstâncias específicas, todos tinham algo em comum: eram
contra o Absolutismo.
No segundo
momento, em 1830, nova onda revolucionária atingiu a Europa. A propagação do
liberalismo e do nacionalismo como ideologias, acrescidos de crise econômica
que afetou tanto o proletariado urbano, quanto a burguesia européia, contribuiu
para impulsionar esses conflitos.
Ainda na
década de 1830 a derrubada dos Bourbon na França, seguida da instalação do “Rei
Burguês”, Luís Felipe, monarca constitucional e liberal pela alta burguesia,
estimulou outras insurreições.
No
terceiro momento estão as revoluções de 1848. Conhecidas como “a
primavera dos povos”, elas
triunfaram através de todo o centro do continente europeu. A zona
revolucionária consistia da França, Confederação Alemã, Império Austríaco e
Itália. Eram lugares demasiado heterogêneos política e economicamente, mas que
tinham em comum um sentimento de libertação. Também há o fato de terem ocorrido
quase que simultaneamente. A maioria ainda era governada por monarcas
absolutistas.
A seguir destacamos dois casos particulares em que esteve
presente o nacionalismo: a unificação da Alemanha e da Itália.
A Unificação da
Alemanha
Em
1834, sob a liderança da Prússia criou-se uma zona de livre comércio chamada Zollverein, que aboliu as tarifas de
importação entre diversos estados germânicos, proporcionando assim uma integração
e fortalecimento econômico entre eles. A Áustria foi excluída desse acordo. A
Prússia acabou sendo a maior beneficiada e pôde além de se fortalecer
economicamente, ampliar e fortalecer seu poderio militar.
As
coisas começariam a mudar quando em 1862, Otto Von Bismarck foi escolhido
primeiro-ministro do rei Guilherme I (1861-1888) da Prússia – Estado que
integrava a Confederação Germânica, assim como a Alemanha. Bismarck só
conseguia considerar uma Alemanha unificada e dominada pela Prússia, com exclusão
da influência política da Áustria.
Esta unificação foi obtida por meio
de três guerras: em 1864 (Guerra dos Ducados Dinamarqueses), 1866 (Guerra
Austro-Prussiana) e 1870-1871 (Guerra Franco-Prussiana). A vitória sobre os
franceses nesta última fez com que os alemães declarassem Guilherme I,
imperador da Monarquia Federal Germânica, completando a unificação política.
A Unificação da
Itália
Após o
Congresso de Viena, a Itália encontrava-se dividida da seguinte maneira: na
região norte, os reinos de Milão e Veneza pertenciam ao Império Austríaco,
assim como as regiões de Módena e Toscana; o Ducado de Parma era ligado aos
Bourbon da Sicília; no centro os estados pontifícios estavam sob o domínio do
papa; no sul o reino das duas Sicílias com capital na cidade de Nápoles, era
governado pelo ramo espanhol dos Bourbon e o reino de Piemonte-Sardenha, o
único independente.
A partir de 1852 as coisas se modificam
quando Camilo Benso de Cavour foi eleito chefe de gabinete do rei Vítor Emanuel
II, de Piemonte-Sardenha (1849-1878).
Após
ter fortalecido econômica e politicamente, o reino de Piemonte-Sardenha, dentro
do liberalismo, Cavour pretendia unificar a Itália. A união viria a atender os
desejos da burguesia industrial de unificar os mercados ampliando também os
negócios.
Devido às experiências anteriores já se
sabia da necessidade do apoio de uma grande potência para se combater a
Áustria. Assim, a França e o Piemonte fizeram uma aliança em 1859. Caso
Piemonte fosse atacado pela Áustria, a França se comprometeria a ajudar a
expulsar os austríacos. Em troca, o Piemonte cederia Nice e Sabóia à França.
O conflito
se iniciou em 1859, quando Piemonte não aceitou a ordem austríaca para
desmilitarizar a fronteira com a Lombardia. Italianos e franceses derrotaram os
austríacos obrigando-os a assinar um armistício. Com o acordo de paz, o
Piemonte recebeu a Lombardia, Toscana, Romagna, Parma e Módena.
A derrota
austríaca repercutiu em toda a Itália e movimentos revolucionários, como os que
ocorreram sob a liderança de Giuseppe Garibaldi com apoio da massa de
camponeses, invadiram e tomaram o reino das duas Sicílias em 1860. O plebiscito
realizado concordou com a anexação dessas regiões à monarquia piemontesa.
Assim, em 1861, Vítor Emanuel II foi
proclamado rei da Itália, já unificada.
Com a unificação, a Itália e a Alemanha
tornaram-se grandes potências industrializadas. Particularmente na Itália, o
norte industrializado passou a receber mais recursos do governo. A população
agrária do sul empobreceu ainda mais por conta das obrigações fiscais. A
miséria de grande parte dos habitantes do sul foi responsável pela última
grande onda migratória em fins do século XIX, dirigida para a América. Na
Alemanha, a burguesia passou a apoiar os planos colonialistas de Bismarck.
A necessidade de expandir mercados e
obter suprimentos permanentes de matérias-primas fez com que as grandes nações
européias industrializadas voltassem seus olhos para a Ásia e a África. No fim
do século XIX se iniciou a fase imperialista e a Alemanha e a Itália entraram
nessa disputa, ainda que tardiamente.
2º ano - Expansão Marítima – Início do Processo de Invasão e Ocupação da América (séculos XV e XVI)
O incremento das atividades comerciais na Europa gerou grandes
fortunas e aumento populacional. Como a produção agrícola continuava pouco
dinâmica, já que no campo ainda predominava o sistema servil feudal, começou a
faltar alimentos para a população em franca expansão.
Por outro lado, o comércio internacional era mantido, sobretudo,
através de produtos vindos do Oriente – principalmente, China e Índia, à época
chamada genericamente de Índias – depois de longo percurso, controlado pelos
árabes, por cidades italianas e por corporações mercantis nas rotas dentro da
Europa, o que encarecia sobremaneira as mercadorias.
Em decorrência desse estado de coisas, a fome começou a aumentar,
começou a faltar moedas (que eram escoadas para o Oriente em pagamento de especiarias
e artigos de luxo), determinando um estreitamento do mercado e do ritmo de
expansão da economia.
Isso levou à busca de metais preciosos para fazer face à falta de
moeda e à procura de novos mercados fornecedores de produtos alimentícios e
que, se possível, fossem ao mesmo tempo consumidores de produtos manufaturados.
Buscavam-se também outros caminhos para o Oriente – as Índias – principal
fornecedor de especiarias, como alternativa para se livrar do jugo dos árabes,
das cidades italianas e das guildas mercantis. E, acima de tudo, era do seu
interesse, também, a divulgação da fé cristã.
As novas concepções sobre a forma do Globo Terrestre, que, de plano
na Idade Média, passou a ser considerado esférico, o progresso na cartografia,
com os portulanos1, o uso da bússola e do
astrolábio e, principalmente, a utilização pelos portugueses das caravelas,
levou ao enfrentamento com maior segurança, da vastidão dos mares e ao
alargamento das fronteiras dos países.
Portugal, por exemplo, é, ainda hoje, um país com 92.000km2,
menos da metade do nosso Pantanal. Menor do que Pernambuco. E, no entanto, a
sua expansão, domínio dos mares e fundação de colônias fez dele o dominador dos
mares, na época: Ceuta (1415), Madeira (1425), Açores (1427), Guiné (1446),
Cabo Verde (1456), Congo (1482), Cabo da Boa Esperança e, dando a volta à
África, Quelimane e Mombaça (1488), na Índia, Calicute e Goa (1498), Brasil
(1500), novamente na África, Sofala, Moçambique e Melinde, além de Málaca
(1511), Cantão (1517), Pequim (1520) e Japão (1542) e, para o controle total do
comércio com o Oriente, no Golfo Pérsico, as feitorias de Aden, Mascate e
Ormuz.
A certeza de encontrar ouro e escravos motivava as invasões na
África. Como se comandassem novas cruzadas, os portugueses dominavam os povos
africanos e escravizavam sob argumentos da catequese dos infiéis. Mas os lucros
não eram satisfatórios e o alvo era as especiarias das Índias.
A chegada de Vasco da
Gama às Índias, em 1498, foi um dos momentos mais importantes da expansão
portuguesa. Mesmo que a viagem de ida e volta tivesse demorado quase dois anos,
foi repleta de êxitos. Para a Coroa e a burguesia mercantil portuguesa, a
viagem significou o controle do comércio de especiarias em boa parte da Europa.
Para os comerciantes italianos, o início do fim.
Foi a partir deste movimento da expansão portuguesa que, em 1500,
Pedro Álvares Cabral pode chegar ao Brasil e seguir para Calicute, dando
continuidade à expansão ao derrotar uma frota muçulmana que ali aportava.
Desde a primeira viagem foram muitas as expedições, destacando-se a
ação de Afonso Albuquerque, que, estabelecendo fortificações e feitorias nas
entradas do mar Vermelho e Golfo Pérsico, na Índia, na Indonésia, China e
Japão, veio a ser o criador do Império Asiático Português.
Durante o século XVI, Portugal constituiu um Império Colonial que
abarcava três continentes: África, Ásia e América. Todavia, Portugal não despontou
como uma grande nação europeia. Vários fatores explicariam tal insucesso:
despesas do Estado com a burocracia, manutenção e patrulhamento das fortalezas
e feitorias, declínio demográfico e falta de capitais fizeram com que a Coroa
Portuguesa contraísse empréstimos vultosos.
1
Documentos medievais nos quais estavam descritos os itinerários marítimos com
distâncias e ilustrações dos principais portos e lugares costeiros de
atracação.
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