domingo, 30 de junho de 2013

2º ano - Expansão Marítima – Início do Processo de Invasão e Ocupação da América (séculos XV e XVI)

O incremento das atividades comerciais na Europa gerou grandes fortunas e aumento populacional. Como a produção agrícola continuava pouco dinâmica, já que no campo ainda predominava o sistema servil feudal, começou a faltar alimentos para a população em franca expansão.
Por outro lado, o comércio internacional era mantido, sobretudo, através de produtos vindos do Oriente – principalmente, China e Índia, à época chamada genericamente de Índias – depois de longo percurso, controlado pelos árabes, por cidades italianas e por corporações mercantis nas rotas dentro da Europa, o que encarecia sobremaneira as mercadorias.
Em decorrência desse estado de coisas, a fome começou a aumentar, começou a faltar moedas (que eram escoadas para o Oriente em pagamento de especiarias e artigos de luxo), determinando um estreitamento do mercado e do ritmo de expansão da economia.
Isso levou à busca de metais preciosos para fazer face à falta de moeda e à procura de novos mercados fornecedores de produtos alimentícios e que, se possível, fossem ao mesmo tempo consumidores de produtos manufaturados. Buscavam-se também outros caminhos para o Oriente – as Índias – principal fornecedor de especiarias, como alternativa para se livrar do jugo dos árabes, das cidades italianas e das guildas mercantis. E, acima de tudo, era do seu interesse, também, a divulgação da fé cristã.
As novas concepções sobre a forma do Globo Terrestre, que, de plano na Idade Média, passou a ser considerado esférico, o progresso na cartografia, com os portulanos1, o uso da bússola e do astrolábio e, principalmente, a utilização pelos portugueses das caravelas, levou ao enfrentamento com maior segurança, da vastidão dos mares e ao alargamento das fronteiras dos países.
Portugal, por exemplo, é, ainda hoje, um país com 92.000km2, menos da metade do nosso Pantanal. Menor do que Pernambuco. E, no entanto, a sua expansão, domínio dos mares e fundação de colônias fez dele o dominador dos mares, na época: Ceuta (1415), Madeira (1425), Açores (1427), Guiné (1446), Cabo Verde (1456), Congo (1482), Cabo da Boa Esperança e, dando a volta à África, Quelimane e Mombaça (1488), na Índia, Calicute e Goa (1498), Brasil (1500), novamente na África, Sofala, Moçambique e Melinde, além de Málaca (1511), Cantão (1517), Pequim (1520) e Japão (1542) e, para o controle total do comércio com o Oriente, no Golfo Pérsico, as feitorias de Aden, Mascate e Ormuz.
A certeza de encontrar ouro e escravos motivava as invasões na África. Como se comandassem novas cruzadas, os portugueses dominavam os povos africanos e escravizavam sob argumentos da catequese dos infiéis. Mas os lucros não eram satisfatórios e o alvo era as especiarias das Índias.
A chegada de Vasco da Gama às Índias, em 1498, foi um dos momentos mais importantes da expansão portuguesa. Mesmo que a viagem de ida e volta tivesse demorado quase dois anos, foi repleta de êxitos. Para a Coroa e a burguesia mercantil portuguesa, a viagem significou o controle do comércio de especiarias em boa parte da Europa. Para os comerciantes italianos, o início do fim.
Foi a partir deste movimento da expansão portuguesa que, em 1500, Pedro Álvares Cabral pode chegar ao Brasil e seguir para Calicute, dando continuidade à expansão ao derrotar uma frota muçulmana que ali aportava.
Desde a primeira viagem foram muitas as expedições, destacando-se a ação de Afonso Albuquerque, que, estabelecendo fortificações e feitorias nas entradas do mar Vermelho e Golfo Pérsico, na Índia, na Indonésia, China e Japão, veio a ser o criador do Império Asiático Português.
Durante o século XVI, Portugal constituiu um Império Colonial que abarcava três continentes: África, Ásia e América. Todavia, Portugal não despontou como uma grande nação europeia. Vários fatores explicariam tal insucesso: despesas do Estado com a burocracia, manutenção e patrulhamento das fortalezas e feitorias, declínio demográfico e falta de capitais fizeram com que a Coroa Portuguesa contraísse empréstimos vultosos.




1 Documentos medievais nos quais estavam descritos os itinerários marítimos com distâncias e ilustrações dos principais portos e lugares costeiros de atracação.

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