O incremento das atividades comerciais na Europa gerou grandes
fortunas e aumento populacional. Como a produção agrícola continuava pouco
dinâmica, já que no campo ainda predominava o sistema servil feudal, começou a
faltar alimentos para a população em franca expansão.
Por outro lado, o comércio internacional era mantido, sobretudo,
através de produtos vindos do Oriente – principalmente, China e Índia, à época
chamada genericamente de Índias – depois de longo percurso, controlado pelos
árabes, por cidades italianas e por corporações mercantis nas rotas dentro da
Europa, o que encarecia sobremaneira as mercadorias.
Em decorrência desse estado de coisas, a fome começou a aumentar,
começou a faltar moedas (que eram escoadas para o Oriente em pagamento de especiarias
e artigos de luxo), determinando um estreitamento do mercado e do ritmo de
expansão da economia.
Isso levou à busca de metais preciosos para fazer face à falta de
moeda e à procura de novos mercados fornecedores de produtos alimentícios e
que, se possível, fossem ao mesmo tempo consumidores de produtos manufaturados.
Buscavam-se também outros caminhos para o Oriente – as Índias – principal
fornecedor de especiarias, como alternativa para se livrar do jugo dos árabes,
das cidades italianas e das guildas mercantis. E, acima de tudo, era do seu
interesse, também, a divulgação da fé cristã.
As novas concepções sobre a forma do Globo Terrestre, que, de plano
na Idade Média, passou a ser considerado esférico, o progresso na cartografia,
com os portulanos1, o uso da bússola e do
astrolábio e, principalmente, a utilização pelos portugueses das caravelas,
levou ao enfrentamento com maior segurança, da vastidão dos mares e ao
alargamento das fronteiras dos países.
Portugal, por exemplo, é, ainda hoje, um país com 92.000km2,
menos da metade do nosso Pantanal. Menor do que Pernambuco. E, no entanto, a
sua expansão, domínio dos mares e fundação de colônias fez dele o dominador dos
mares, na época: Ceuta (1415), Madeira (1425), Açores (1427), Guiné (1446),
Cabo Verde (1456), Congo (1482), Cabo da Boa Esperança e, dando a volta à
África, Quelimane e Mombaça (1488), na Índia, Calicute e Goa (1498), Brasil
(1500), novamente na África, Sofala, Moçambique e Melinde, além de Málaca
(1511), Cantão (1517), Pequim (1520) e Japão (1542) e, para o controle total do
comércio com o Oriente, no Golfo Pérsico, as feitorias de Aden, Mascate e
Ormuz.
A certeza de encontrar ouro e escravos motivava as invasões na
África. Como se comandassem novas cruzadas, os portugueses dominavam os povos
africanos e escravizavam sob argumentos da catequese dos infiéis. Mas os lucros
não eram satisfatórios e o alvo era as especiarias das Índias.
A chegada de Vasco da
Gama às Índias, em 1498, foi um dos momentos mais importantes da expansão
portuguesa. Mesmo que a viagem de ida e volta tivesse demorado quase dois anos,
foi repleta de êxitos. Para a Coroa e a burguesia mercantil portuguesa, a
viagem significou o controle do comércio de especiarias em boa parte da Europa.
Para os comerciantes italianos, o início do fim.
Foi a partir deste movimento da expansão portuguesa que, em 1500,
Pedro Álvares Cabral pode chegar ao Brasil e seguir para Calicute, dando
continuidade à expansão ao derrotar uma frota muçulmana que ali aportava.
Desde a primeira viagem foram muitas as expedições, destacando-se a
ação de Afonso Albuquerque, que, estabelecendo fortificações e feitorias nas
entradas do mar Vermelho e Golfo Pérsico, na Índia, na Indonésia, China e
Japão, veio a ser o criador do Império Asiático Português.
Durante o século XVI, Portugal constituiu um Império Colonial que
abarcava três continentes: África, Ásia e América. Todavia, Portugal não despontou
como uma grande nação europeia. Vários fatores explicariam tal insucesso:
despesas do Estado com a burocracia, manutenção e patrulhamento das fortalezas
e feitorias, declínio demográfico e falta de capitais fizeram com que a Coroa
Portuguesa contraísse empréstimos vultosos.
1
Documentos medievais nos quais estavam descritos os itinerários marítimos com
distâncias e ilustrações dos principais portos e lugares costeiros de
atracação.
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